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Freelancers deixam de ser apoio pontual e ocupam espaço estratégico nas empresas

18/08/2026
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A contratação de profissionais sob demanda deixou de ser uma solução apenas para picos de trabalho e passou a integrar a estrutura de muitas empresas. Um levantamento da consultoria HUG, feito em julho com freelancers e profissionais PJ de todo o país, mostra que "53,4% dos entrevistados já atuam há mais de quatro anos nesse formato", combinando equipes internas com especialistas externos conforme a necessidade dos projetos.

Embora o conceito não seja novo, especialistas apontam que a modalidade está deixando de ser emergencial para se tornar parte estruturada do planejamento de RH. Dados da consultoria indicam crescimento da demanda por esses profissionais, impulsionado pela escassez de talentos especializados, pela busca de mais velocidade na execução e pela aceleração da transformação digital.

Para Gustavo Loureiro Gomes, CEO da HUG, "o Open Talent migrou do modelo de apagar incêndios para fazer parte do desenho estrutural das organizações". Ele explica que "as empresas mais inovadoras já trabalham com uma lógica em que mantêm internamente o núcleo responsável pela cultura, pela estratégia e pela visão de longo prazo, enquanto acessam especialistas externos para acelerar projetos específicos". O movimento acompanha ainda uma mudança no perfil dos profissionais mais experientes — executivos e líderes de marketing, tecnologia, dados, produto e estratégia têm buscado mais flexibilidade para atuar em diferentes projetos.

Especialistas complementam as equipes internas

O modelo não substitui as equipes permanentes, mas amplia a capacidade de execução. É o caso do Grupo Boticário, que adotou o sistema para mais de 60 profissionais alocados e alcançou 96% de retenção desses talentos. Enquanto os colaboradores internos concentram o conhecimento do negócio, a cultura e os processos, os especialistas sob demanda agregam repertório técnico, experiência de diferentes mercados e agilidade na implementação.

"O sucesso desse modelo depende de enxergar esses profissionais como parceiros estratégicos, e não apenas como fornecedores externos", afirma Loureiro, que destaca a importância de clareza de escopo, contexto bem definido e autonomia. Para a integração funcionar, a empresa ressalta processos claros de onboarding, definição objetiva de responsabilidades, acesso às informações necessárias e alinhamento entre os profissionais externos e as lideranças internas.

Marketing, tecnologia e dados lideram

As áreas de marketing, comunicação, tecnologia e dados estão entre as que mais adotam o modelo, por operarem em ambientes de mudança frequente de ferramentas, canais e competências. Nesses casos, a contratação sob demanda permite incorporar profissionais experientes com mais rapidez, sem criar uma vaga permanente para uma necessidade temporária.

Agilidade acima da redução de custos

Ainda que a redução de custos e o ganho de produtividade pesem na decisão, a HUG avalia que o maior benefício está no acesso rápido a competências especializadas. "O maior valor do Open Talent não está em economizar na folha de pagamento, mas em reduzir o custo da demora e da ineficiência", argumenta Loureiro, lembrando que muitas empresas precisam decidir em poucos dias, enquanto um processo seletivo tradicional pode levar de 45 a 60 dias.


Fonte: Com informações de Contábeis

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